Torta de Nozes
Por que não se deve discutir política no Brasil?

por Natalia Kuschnaroff

Essa pergunta tem me assombrado há algumas semanas e, obviamente, tenho tentado resgatar práticas, história e muita outras coisas para tentar esclarecer essa dúvida fundamental do povo brasileiro.

Percebam que se, hoje, eu falar que eu não gosto do PT para um petista, ele vai ficar de cara amarrada - no mínimo - e vai me dar um esporro e todas aquelas coisas. Isso que eu nem falei “O PT é uma bosta” eu simplesmente disse “Eu não gosto do PT”. Mas você acha que a moeda tem um lado só? Que nada! Se eu for falar que não gosto do PSDB para um tucano, a única diferença é que ele usará a ironia para me provar que eu sou uma completa imbecil.

Mas por que, se eu estiver em uma churrascaria, por exemplo, e disser que não gosto de Fraudinha, o máximo que vai acontecer é alguém me chamar de “louca”? Por que eu posso admitir em uma mesa que não gosto de fraudinha e não posso admitir que não gosto de um determinado político ou partido? Talvez tudo esteja mais relacionado com o marketing do que eu poderia imaginar quando eu trabalhava com publicidade.

Por que raios o brasileiro não consegue entender que uma democracia traz OBRIGATORIAMENTE opções políticas diversas para que cada um possa optar pelo que prefere? Por que será que por aqui todos devem evitar um dos assuntos mais importantes da agenda pública? Por que é feio que pessoas públicas digam quem elas preferem? Não seria natural que todos pudessem opinar e debater como se não fosse um taboo?

A política de hoje é como o sexo de outros tempos. Dizem que o não falar de sexo, o abafo sobre o tema é que trazia maior satisfação sexual. Talvez na política seja o mesmo caso, quanto menos se fala, mais satisfeitas as pessoas ficam! Sem atritos, sem questões, sem paranoias, sem problemas injetados.

Tudo bem que cada partido dita uma moda e um comportamento para cada indivíduo, como se fossem marcas de roupa mesmo. Se eu sou partidária ao fulano X então, necessariamente, eu deva ser da classe social Y, gostar de literatura Z, assistir aos filmes P, sair para os bares G e pensar do modo T. E ai de você se estiver no bar G e não ser partidária ao X!

Será que o Brasil ainda não se entendeu como democracia? Mas não o culpo, quem entenderia, não é? Não seria super legal que em qualquer mesa de bar cada um pudesse dizer em quem vai votar e discutir sobre isso, com argumentos interessantes? Gente! Talvez isso fizesse a gente votar melhor! Mas é complicado, né, porque esse medo de falar de política só pode significar uma coisa: que a política é coisa feia de se falar. E por quê? Porque a política é feia! É forçada, é podre, admitidamente um turbilhão de maldades e mentiras.

O que será que pode ser resolvido primeiro? O estigma de política ser um tema feio no Brasil ou a política feia atuada por aqui? Quem conseguir me responder e dizer em quem vai votar, sem medo, ganhará o meu respeito!

A Peuqena e Breve Tradução do Amor

Ah, o amor… O amor! O amor se resume no seguinte diálogo:

Ele diz “É, Nina, você é engraçada… Entra na fogueira e quer me arrastar junto.” Ela diz (algo como) “E você? Você não faz assim?” Ele conclui “Eu não. Eu te jogo na fogueira e saio correndo.”

E Deus abençoe Hermes e Renato até na Record! Obrigada por essas figuras existirem no mundo!

ALELUIA!

Ah, a Jordânia!

E olha que eu estava lá há duas semaninhas!

E olha que eu estava lá há duas semaninhas!

Ah, se eu pudesse estar lá agorinha mesmo!

Ah, se eu pudesse estar lá agorinha mesmo!

O Reino dos Bons

por Natalia Kuschnaroff

É engraçado perceber que quase todo mundo que está a meu redor é bom. No sentido de pureza e bondade mesmo. Mais engraçado ainda é perceber o quanto eu não sou boa.

Eu sinto ciúme, sinto inveja, dou chilique, sinto raiva. Me sinto insegura, sinto medo por coisas banais, me autoboicoto, respondo atravessado, brigo com quem me ama, finjo não amar ninguém, cometo a gula, a preguiça e vários outros pecados capitais. Não tenho muita força de vontade, deixo muita coisa para a última hora, sou petulante, prepotente, arrogante, exigente. Tenho vergonha de dizer que não sei e dificuldade em dizer que errei.

Além disso, também têm muitas outras coisas mais que me fazem não ser uma pessoa boa.

Gente boa é quem encara a realidade com um grande sorriso e não fica puto com coisas mesquinhas; é quem tem a sabedoria de ultrapassar pequenos problemas banais do dia a dia e pensar no que realmente importa. É quem tem coragem de seguir adiante, nem que haja um grande muro na frente. É quem não sente medo de enfrentar e correr em busca de seus sonhos. Quem tem uma concepção bem resolvida sobre a pobreza, a política, a economia, o entretenimento e a cultura.

Gente boa não para nem um segundo do seu dia para reclamar. Eu reclamo várias vezes durante o dia. Gente boa não come mais doce do que deve porque sabe que o corpo precisa de equilíbrio. Eu como sorvete mesmo já de barriga cheia. Gente boa não faz papelão na frente dos outros porque não faz papelão nem entre quatro paredes. Eu briguei com a minha mãe numa loja e todo mundo olhou mesmo sem eu ter gritado. Gente boa não compra produtos além dos que vai precisar. Eu nem tenho noção do que tenho ou não tenho. Gente boa não precisa de Twitter para se sentir menos sozinha, porque gente boa não se sente sozinha.

Gente boa que é gente boa não sou eu. Pensando bem, prefiro continuar sendo uma pessoa ruim, já que é muito difícil ser alguém bom.

A Epopeia do “Já para a Cama”

Quando o vento bate nas nossas costas sussurrando “é hora de dormir” é quando eu paro e penso em absolutamente tudo que eu deveria ter feito ao longo do dia e não fiz. Isso misturado com a lista mental de tudo que deve ser feito no dia seguinte.

Meus planos dificilmente incluem o termo “semana que vem”. “Mês que vem” então, parece um futuro intransitável. A não ser que eu tenha marcado um compromisso com muita antecedência, aí a coisa muda. O exercício de visualizar o compromisso se repete por volta de 15 vezes ao longo do dia e vai perdendo sua frequência conforme a chegada do dia D. Tento explicar isso como a destruição do fator ilusório.

A Destruição do Fator Ilusório: essa ação se dá em momentos como o de datas que envolvem grandes expectativas. Aquelas que, segundo a nossa mente traiçoeira, podem mudar um rumo inteiro na nossa vida. Alguns exemplos como entrevistas de emprego, estreia de um filme esperado, uma festa almejada ou algum tipo de concurso são muito corriqueiros para muita gente. Não sei como esses momentos se apresentam no imaginário de cada um. Mas para mim são sempre contos de fadas. Não que eu tenha alguma vez participado de algum concurso, mas acho que deu para entender. O fator ilusório não necessariamente traz um cenário mágico e encantador, ele também pode trazer medos e angústias; fato é que ele sempre traz uma projeção antecedente de qualquer coisa que possa acontecer, para eu já estar preparada de alguma forma.

Quem vive sabe que nada disso funciona, porque no final das contas o dia D vai sempre trazer alguma surpresa inesperada. Essa expectativa de surpresa também deve ser destruida no fator ilusório. Enfim, a destruição do fator ilusório deve acontecer aos poucos para que… Não sei exatamente para quê, mas deve.

É difícil coexistir com meus pensamentos, por isso tenho a necessidade física de dividi-los com quem mais possa compartilhá-los. Isso não é triste nem alarmante, não. É só porque o livro que eu estava lendo acabou durante essa madrugada e estou morrendo de preguiça de começar outro agora.

O vento está batendo nas minhas costas e sussurrando que já é hora de dormir, mas não estou com sono e tampouco estou a fim de pensar no que devo fazer assim que me levantar amanhã de manhã.

A Cena do Filme em que Todos se Abraçam

Sabe quando, naqueles filmes de humor, acontece algo muito incrível e todos se abraçam? O judeu e o árabe, o nerd e o popular, o preto e o red neck, o McDonalds e o Burger King? Enfim, para mim é essa cena que representa o natal.

Essa data mágica que não tem nenhum significado simbólico religioso para mim tem um sentido de catarse social, ao meu ver. Claro, acompanhado pelo novo ano. Tal como “vamos esquecer nossas diferenças, é natal!”

São Paulo fica com um cheiro de cidade semideserta; têm os que enchem a cara para esquecer e os que enchem a cara de esperanças. Sem querer, de repente, tem mais gente que o esperado botando um sorriso no rosto e também aqueles outros que acham tudo uma grande besteira e encaram como um dia normal. Du-vi-do! Até porque não é um dia normal. Tudo fecha.

As expectativas de que venha algo melhor são enormes, os votos de saúde e sorte acompanham as promoções e a ganância do comércio. A TV revela uma programação superespecial com os mesmos filmes desde 1990. Os papais Noel usam as mesmas roupas e os enfeites não variam desde o século XVIII.

São Paulo fica com um cheiro de cidade semideserta com sabor de tradicionalismo. As famílias percebem que as crianças já cresceram e chegaram outras para tomar o lugar, as frutas e comidas típicas do hemisfério norte se alojam dentro da casa de cada família cristã para que seja honrada a data mais importante do calendário; alguns esperam presentes e outros os dão.

O natal marca a ressaca de um ano inteiro e intenso de trabalho, um ano em que talvez as coisas não tenham sido como deveriam ser. O natal marca o juizo final de cada ano e vem acompanhado com uma culpa marcante da religião para que todos saibam que cada ganho tem uma promessa e cada promessa, por sua vez, é tributada por meio de dívidas conscientes.

Eu não comemoro o natal, mas não sou diferente. Ainda acredito em um cenário mais bonito para mim, meus amigos, familiares e para todo o Brasil. Espero e torço de verdade para que essa catarse social possa trazer resultados práticos não descartáveis, mesmo não sabendo o que isso significa e, por um lado, achando isso tudo uma grande ilusão.

E foi o Felipe Andreoli que tirou essa fota!

E foi o Felipe Andreoli que tirou essa fota!