Quando o vento bate nas nossas costas sussurrando “é hora de dormir” é quando eu paro e penso em absolutamente tudo que eu deveria ter feito ao longo do dia e não fiz. Isso misturado com a lista mental de tudo que deve ser feito no dia seguinte.
Meus planos dificilmente incluem o termo “semana que vem”. “Mês que vem” então, parece um futuro intransitável. A não ser que eu tenha marcado um compromisso com muita antecedência, aí a coisa muda. O exercício de visualizar o compromisso se repete por volta de 15 vezes ao longo do dia e vai perdendo sua frequência conforme a chegada do dia D. Tento explicar isso como a destruição do fator ilusório.
A Destruição do Fator Ilusório: essa ação se dá em momentos como o de datas que envolvem grandes expectativas. Aquelas que, segundo a nossa mente traiçoeira, podem mudar um rumo inteiro na nossa vida. Alguns exemplos como entrevistas de emprego, estreia de um filme esperado, uma festa almejada ou algum tipo de concurso são muito corriqueiros para muita gente. Não sei como esses momentos se apresentam no imaginário de cada um. Mas para mim são sempre contos de fadas. Não que eu tenha alguma vez participado de algum concurso, mas acho que deu para entender. O fator ilusório não necessariamente traz um cenário mágico e encantador, ele também pode trazer medos e angústias; fato é que ele sempre traz uma projeção antecedente de qualquer coisa que possa acontecer, para eu já estar preparada de alguma forma.
Quem vive sabe que nada disso funciona, porque no final das contas o dia D vai sempre trazer alguma surpresa inesperada. Essa expectativa de surpresa também deve ser destruida no fator ilusório. Enfim, a destruição do fator ilusório deve acontecer aos poucos para que… Não sei exatamente para quê, mas deve.
É difícil coexistir com meus pensamentos, por isso tenho a necessidade física de dividi-los com quem mais possa compartilhá-los. Isso não é triste nem alarmante, não. É só porque o livro que eu estava lendo acabou durante essa madrugada e estou morrendo de preguiça de começar outro agora.
O vento está batendo nas minhas costas e sussurrando que já é hora de dormir, mas não estou com sono e tampouco estou a fim de pensar no que devo fazer assim que me levantar amanhã de manhã.
A Epopeia do “Já para a Cama”